20 de junho de 2016

Evento reúne DPU/RJ, DPGE/RJ, SMS/RJ, SES/RJ, Consultório na Rua e pessoas em situação de rua


Quem trabalha com pessoas em situação de rua sabe que é uma crueldade achar que alguém nessas condições pode conseguir, sozinho, atingir o nível de organização necessário para viver bem. As chances de saírem da situação de rua aumentam, quando há uma rede de apoio envolvida. Para que sejam criadas condições de efetivamente ajudá-las a se reestruturarem, é preciso que as instituições e políticas públicas que lidam com a questão se entrosem mais, conversem mais, troquem experiências.


Seguindo esse pensamento, nesta quarta-feira (15), a Câmara de Resolução de Litígios de Saúde (CRLS), que reúne, em um só lugar, o atendimento especializado em saúde prestado pela Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro (DPU/RJ) e pela Defensoria Pública Geral do Estado do Rio de Janeiro (DPGE/RJ), contando com o apoio técnico das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde (SMS/RJ e SES/RJ), recebeu profissionais que atuam no Consultório na Rua.


A invisibilidade e o preconceito são os maiores obstáculos desse grupo populacional para acessar serviços e direitos. Acreditar que os postos de saúde “não são para pessoas como elas”, não raras vezes, as desmotiva a procurar atendimento médico.


"O evento foi fundamental, pois os profissionais do Consultório na Rua possuem uma grande bagagem de atendimento a este grupo populacional, conhecendo as especificidades que este tipo de atendimento exige. Além disso, essa aproximação é fundamental para que estes profissionais conheçam o trabalho das Defensorias Públicas e da CRLS”, afirmou o defensor público federal Renan Vinícius Sotto Mayor.

Apresentação de coral engrandece o evento

O evento contou, em sua abertura e fechamento, com a participação dos corais do Banco da Providência (de Cordovil) e da Casa de Lázaro. Ambos fazem parte de um projeto composto por 12 corais, formados por pessoas que já viveram e/ou ainda vivem em situação de rua. “Nós acreditamos que a arte é uma grande ferramenta de transformação de vidas. Acreditamos nessa potência da arte e que juntos nós podemos ajudar as pessoas a construir novas identidades de ambição e de conquistas e não mais de necessidades”, disse Ricardo (Rico), que comandou os grupos nas apresentações.


Este projeto, que tem como foco o desenvolvimento das artes da população de rua, é um legado das Olimpíadas de 2012, em Londres. Este ano, os grupos participarão da Olimpíada Cultural do Rio de Janeiro, dentro da Agenda Olímpica. "De 18 a 25 de julho, a arte dos moradores de rua ocupará vários pontos da cidade, no evento Celebra 2016", conta Rico.

Rico fala sobre o projeto e convida para o Celebra 2016

Consultório na Rua 

O Consultório na Rua foi instituído pela Política Nacional de Atenção Básica, em 2011, e visa a ampliar o acesso da população em situação de rua aos serviços de saúde, ofertando, de maneira mais oportuna, atenção integral à saúde para esse grupo populacional, que se encontra em condições de vulnerabilidade e com os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados. Os Consultórios na Rua são formados por equipes multiprofissionais, podendo fazer parte delas enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, agentes sociais, técnicos ou auxiliares de enfermagem, técnicos em saúde bucal, cirurgiões-dentistas, profissionais/professores de educação física ou profissionais com formação em arte e educação.

As equipes são responsáveis por realizar busca ativa e atender à população. Os profissionais de saúde vão às ruas e a outros espaços onde existam situações de vulnerabilidade para esse grupo com o intuito de oferecer o cuidado necessário. São milhares de pessoas cadastradas recebendo atendimento. Em sua maioria, são homens adultos. A maior parte dos atendimentos é por hipertensão, diabetes, tuberculose, HIV/AIDS, sífilis, hepatites e transtorno mental.


Comunicação DPU/RJ

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